A agência Espacial Europeia (ESA) investiga o status do módulo Schiaparelli, que chegou a Marte no início da tarde desta quarta-feira (19). Minutos depois de sua entrada na atmosfera, o sinal foi perdido. Os especialistas devem trabalhar durante toda a noite e passar mais informações na manhã desta quinta.

O robô Schiaparelli tentará a arriscada descida à superfície do planeta vermelho nas próximas horas, após uma jornada de 500 milhões de quilômetros da Terra.

O objetivo do veículo de seis rodas é perfurar a superfície em busca de vida.

Pousar o pequeno robô Schiaparelli deve ser a parte mais simples. Mas, como mostram os registros científicos, Marte não é o lugar mais acolhedor que existe – mesmo para a tecnologia mais sofisticada, o que torna todos os detalhes da missão mais complicados.

Mais da metade das missões enviadas ao vizinho mais próximo da Terra falharam. Muitos dos robôs se perderam no caminho, erraram o destino ou acabaram destruídos na chegada.

Com cerca de 600 quilos, o módulo Schiaparelli pousará na Planície Meridiani. Um escudo térmico protegerá o módulo das altas temperaturas da entrada na atmosfera, a 121 quilômetros de altitude.

“Várias tentativas de aterrissar em Marte falharam exatamente porque há uma longa cadeia de comandos que precisam ser executados sem a menor falha. Não pode haver nem um único elo fraco nesse encadeamento”, disse o cientista francês François Forget, um dos responsáveis pela missão ExoMars.

A missão também pôs, simultaneamente, a sonda TGO (Trace Gas Orbiter) na órbita do planeta. A operação é uma parceria entre russos e europeus e busca testar a capacidade dos parceiros de aterrissar um módulo de maneira segura no planeta vermelho, 13 anos depois das desventuras do pequeno robô Beagle 2.

Até hoje, apenas os americanos conseguiram pousar em Marte equipamentos que funcionaram em seguida.

Sobre a missão


A sonda e o módulo de pouso Schiaparelli constituem o primeiro episódio da ExoMars, uma ambiciosa missão científica entre Rússia e Europa, dividida em duas etapas (2016 e 2020) e que pretende buscar indícios de vida atual e passada em Marte.

A TGO orbita na atmosfera de Marte para detectar rastros de gases como o metano, que poderia indicar a presença de uma forma de vida atual no planeta.

O clima no planeta vermelho não é excelente. “Há tempestades de poeira. Mas nada dramático. Não atrapalha. Não é inquietante”, disse o diretor do módulo de pouso, Thierry Blancquaert, que estava no Centro Europeu de Operações Espaciais (ESOC), em Darmstadt (Alemanha).

Segunda tentativa


Esta é a segunda vez que a Europa tenta conquistar Marte. Em 2003, a sonda Mars Express lançou o pequeno módulo Beagle 2, de concepção britânica, mas o robô nunca deu sinais de vida. Os cientistas sabem desde 2015 que ele pousou, mas estava danificado.

Depois de uma viagem de sete meses, TGO e Schiaparelli se separaram no domingo. O módulo, com massa de 577 kg ao partir, segue agora para Marte.

_91750371_schiaparelli_on_mars

O módulo de pouso é uma cápsula de 2,40 metros de diâmetro que se parece um pouco a uma piscina inflável para bebês.

A Schiaparelli deve reunir dados metereológicos enquanto durarem suas baterias, o que deve ser alguns dias. O ganho com a missão pode ser limitado cientificamente, mas significativo em termos de tecnologia.

Outros pousos

O primeiro módulo a ser enviado para pousar no planeta vermelho foi o Marte 2, da União Soviética, em 1971. Ele foi o primeiro objeto humano a tocar a superfície marciana, mas se espatifou contra ela. Os soviéticos tentaram realizar operações semelhantes novamente ainda em 1971, depois em 1973, mas todas fracassaram.

Os soviéticos tentaram ainda sem sucesso enviar um módulo de pouso a Phobos, principal lua de Marte, em 1988. Em 2011, a Rússia, em parceria com a China, tentou mais uma vez pousar em Phobos, mas a nave nem mesmo saiu da órbita da Terra.

Os americanos obtiveram sucesso em duas operações em 1975, com os módulos de pouso das naves Viking 1 e 2. Em 1996, a Nasa também foi bem sucedida com a missão Mars Pathfinder, que enviou à superfície do planeta o Sojourner, primeiro veículo a circular em solo marciano.

Em 2003, a Nasa enviou mais dois veículos no planeta, o Spirit e o Opportunity, cada um em um local diferente de Marte, ambos com sucesso. No mesmo ano, a missão de pouso da ESA fracassou.

Em 2011, os americanos enviaram ainda a Marte o veículo Curiosity, que está ativo até hoje. A única missão americana fracassada ao planeta vermelho foi a tentativa de envio do módulo de pouso Mars Polar Lander, em 1999, que perdeu o contato com a Terra. Ele provavelmente se espatifou na descida.